Leone Farias
O objetivo do encontro foi possibilitar que indústrias do município e de todo o Grande ABC conhecessem mais esse mercado e as necessidades em termos de equipamentos, peças e componentes, por exemplo, e tivessem noções sobre o ‘caminho das pedras’ – obtendo informações sobre normas técnicas e procedimentos – para poderem se inscrever e participar de licitações em compras feitas por essa Força Armada.
Presente ao seminário, o general Marco Antônio de Farias, que é comandante logístico do Exército, destacou a importância da iniciativa, por permitir “uma integração de interesses”. “Essa facilitação de contatos (com o setor industrial) trará frutos benéficos para as Forças Armadas, mas acima de tudo para o País”, diz.
Os oficiais militares mostraram que há oportunidades de negócios nas mais diversas áreas, que vão desde a produção de radares até fornecimento de uniformes, peças para manutenção de veículos, rádios portáteis, nobreaks etc. O foco é nacionalizar boa parte dos produtos que hoje são adquiridos no Exterior, para reduzir a dependência externa e ganhar em autonomia.
Com grande número de indústrias, principalmente do ramo metalmecânico, a região tem plenas condições de atender o Exército, avalia o prefeito Luiz Marinho. “Temos tradição na área industrial e também de produção de conhecimento”, diz. “Temos engenharia e inteligência embarcada”, observa também o diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Bernardo, Hitoshi Hyodo.
Marinho acrescenta que muitas empresas da região nunca pensaram em atender a Defesa, mas com a série de iniciativas que vêm sendo realizadas, podem perceber esse potencial. No ano passado, a Prefeitura já havia promovido encontro do empresariado com a Marinha, também para fomentar o desenvolvimento de fornecedores. Ele cita ainda que o programa APL (Arranjo Produtivo Local) da indústria da Defesa do Grande ABC, destinado a reunir fábricas interessadas em participar dessa cadeia produtiva, pode contribuir também para essa aproximação. Ontem, além das apresentações do Exército, a Prefeitura lançou o site desse APL (www.industriadefesaabc.com.br).
Empresários veem mercado promissor
Empresários do Grande ABC presentes ao evento mostraram entusiasmo com o potencial de negócios com as Forças Armadas. Jairo Cândido, que além de diretor da Fiesp, é presidente do grupo Inbra, de Mauá, disse que a presença do grande número de oficiais mostra a importância que o Exército dá para esse contato com a indústria da região.
Seu grupo – que conta com oito empresas, entre as quais a Inbraland, de itens de defesa (capacetes, coletes e até um veículo blindado para uso militar chamado Gladiador) –, já tem tradição no fornecimento para essa área. Recentemente fechou parceria com a Helibras para fornecer parte da fuselagem de um novo helicóptero 100% nacional e que participa da seleção no Inovar Aerodefesa – programa da Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisas) de apoio ao setor – com projetos que somam R$ 50 milhões.
Outra empresa do Grande ABC, a NHT Engenharia, de São Bernardo, ainda não tem negócios nesse segmento, mas o diretor técnico e comercial, Sadao Hayashi, ficou surpreso, ao assistir o seminário. “Não sabia que o Exército estava tão aberto. Tive uma surpresa bastante positiva”, disse. A NHT atende as montadoras com serviços tecnológicos ligados a projetos, simulações e cálculos. Para o executivo, há boas perspectivas também no segmento de Defesa. “Já trabalho para uma fornecedora desse setor, a Agrale.”
Fonte: Diário do Grande ABC/montedo.com
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